
Como um astro estrela
brilhando chegaste,
límpida em meu lago.
Pura, trouxe-me a sua brancura,
cálida deste-me sua boca
sem se apresentar,
entraste em meus sonhos.
Assim contam as histórias...
Como a da canção que procura na partitura
suas claves para tocar um coração,
com sua nota maior
.
Mãos aflitas atiradas ao ventos,
no encontro do desconhecido,
adormecido encontrava-se.
Faminto pelo cheiro de sentimentos
Vadio cão das ruas sossegadas,
Que tranqüila por ela passeavas
Vestida de brisa leve
Eterna como o amor, se aproximaste
Deslumbrado, tosco e arredio,
lá estava aquele coração
Intrépido valente, ante o perigo maior
guerreiro de tantas lutas suadas,
ainda sangrando em vertentes,
relutando pela própria sorte.
Entregou-se naquela batalha à vencedora
Sem ao menos ela tivesse tal conhecimento!
E ali, jazia o momento maior de uma guerra desarmada.
Palavras deformadas pela mão do poeta
Ou pela força da imaginação de um escrito.
Não importa.
Apenas deram as mãos e
seguiram passos afora,
sem se importarem com o barulho do mundo...
Vencido e vencedora, entregaram-se a paz solene.
E o corpo,
cravado de amor,
ali jaz, feliz
Nas mãos de sua algoz...
Marcos Milhazes***
Todos os direitos reservados ao autor