Olho-me e turvo-me
na melancólica visão do ocaso!
Ouço-me e surdo-me
do eco ajoelhado ao pavilhão.
Falo-me e rouco-me
na voz falida que só exalta a dor.
Provo-me e amargo-me
do paladar estranho e azedo.
Sinto-me e sufoco-me
no frio entardecer do medo.
Reflito-me, invoco-me,
e a mente dissolvida não me dá sinal.
 
Velho-me, venho-me encontrar comigo
na noite escura do meu funeral !...
 
Herculano E. Coelho
 
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