Leia em meus olhos tristes, o dizer
Decifra em lábios mudos, o querer
Ouça silenciosamente...
O sigilo do clamar do meu apelo
Do querer viver mais um pouco
Ou novamente...
O gosto da vida, do tempo
Do querer revivê-lo.

Ande comigo na lentidão
Com meus passos urge o tempo
Na escuridão
Passo a passo, passos passantes
Por trilhas inseguras, distantes
Nocauteada a flexibilidade
Pesa o peso, pesado!
Pesando a idade.

Paciente, dependente da vontade
Buscando migalhas da felicidade
Qual aranha tecendo sua teia
Aguardo apenas um fio
Da bondade alheia.

Ainda, eu sei, não é o fim
Mas é mais ou menos assim
Cambaleante...
Hesitante seguir parado
Imaginários passos
Com esforço dobrado.

Há em mim pouca vida
Mas existência
Que exige, quem sabe,
Um pouco de paciência.
Não posso comprar compaixão,
Nem quero comprar o seu coração.
Preciso sim, amparo hoje e amanhã.
Enquanto viver ainda, serei sempre
ANCIÃ.
 

Ilka Bosse

 

(Bailarina das Letras)

 

Todos os direitos reservados à autora

 

Do livro: "O BAILAR ENTRE LETRAS"

 

 

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