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GAVETA BAGUNÇADA
Gaveta bagunçada! Aquela loucura refletia minha conturbação e parti
deste ponto: organizaria minha vida começando pela arrumação do
armário.
Pulseira de ouro, vidro de perfume dos bons, coleção de canetas
importadas, tudo tão estranho, desconexo, material... E eis que no
fundo da gaveta encontro algo realmente valioso: uma embalagem de
bala já enrugada e desbotada, mas de importância ímpar. Aquele
pequeno pedaço de papel era um passaporte ao mundo das lembranças...
Maldade: ele me mostrou o melhor da vida e me fez perceber que tudo
tem um fim...
Gaveta bagunçada, reflexo de mim.
Nicolle Bello
Todos os direitos reservados à autora

SALTO ALTO
Foi um salto alto. Tão alto quanto a queda que proporcionou. As
pernas trêmulas pela falta de costume experimentariam equilibrar-se
sobre o imponente e, no entanto, delicado ar feminino do salto.
Calçados os sapatos e passado algum tempo ocorre o que mais se
temera: o salto não agüenta a mulher pois a mesma é mulher demais.
“Pé no chão”, a descrevem. E percebo que não é atoa.
Nicolle Bello
Todos os direitos reservados à autora

DEFEITO
Não citarei suas qualidades para que não haja controvérsias. Era, em
resumo, realizado. Tanto que chegou, certa vez, a amar uma mulher, e
ela o dispensou com a seguinte frase:
– Seu defeito é ser perfeito.
E não mais seria perfeito, a partir daquele momento, pois teria em
seu pensamento a mulher que não o quis.
Nicolle Bello
Todos os direitos reservados à autora

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